Abordar a temática étnico-racial exige um trabalho cuidadoso de todos nós professores, após a análise das entrevistas com meus alunos percebi que tenho muito pouco conhecimento sobre o racismo e seus efeitos. Entretanto não podemos mais deixar de falar sobre questões étnico-raciais com crianças e adolescentes. Problematizar este assunto é fundamental para a qualificação das relações dentro da escola. Presenciamos preconceitos das mais variadas espécies – raça, cor, classe social e outras características físicas – e não podemos mais fechar os olhos, nossas crianças ainda não conseguem perceber que um xingamento fere e magoa, afetando a dignidade do outro, rever nossos conceitos é urgente. A Lei Federal 10.639/03 – que institui o ensino de História e Cultura da África e das Populações Negras Brasileiras na grade curricular do ensino fundamental e médio das escolas públicas e privadas de todo o país – precisou estabelecer-se, forçando assim uma reflexão sobre práticas consolidadas e aceitas como normais. Cabe agora a nós professores, levarmos a discussão sobre a diversidade racial para a sala de aula, juntamente com os problemas sociais e suas consequências para toda a sociedade.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
“Como você se sente como aluno(a) negro(a) nesta escola?”
Escolhi para entrevistar alguns alunos do Curso Técnico em Administração, no qual leciono a disciplina de Informática. Confesso que tive dificuldade em abordar o assunto diretamente, então coloquei a questão no papel e para cada aluno que a entregava expliquei que precisava de ajuda para realizar um trabalho da faculdade sobre questões étnico-raciais na escola atualmente. Os quatro alunos que responderam as perguntas têm entre 17 e 20 anos.
Respostas:
1) Me sinto feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por estar num curso técnico e ser negra. Triste porque muito poucos negros entram no técnico e menos ainda numa faculdade. Mas com fé, esforço e dedicação buscaremos nosso lugar na sociedade e mostraremos que somos capazes de estudar e ser aprovados sem as cotas.
2) Me sinto bem na maior parte do tempo, sou olhada e admirada pela maioria das pessoas. Mas sinto que às vezes sou julgada pela minha cor, já fui discriminada várias vezes nesta minha vida. Sempre que alguma coisa desaparece na sala de aula, como aconteceu com o celular da Júlia em março, sinto que as pessoas desconfiam de mim em primeiro lugar, depois quando aparece o culpado elas ficam com cara de bobas porque não era um negro.
3) Hoje sou mais tranqüilo quanto aos apelidos e até ofensas que escuto, mas sofri bastante quando era criança, brigava muito na escola e batia em todo mundo que falasse da minha cor, do meu nariz ou do meu cabelo, eu não me aceitava muito bem sabe? Sempre tem aqueles colegas de aula que se acham melhores que os outros, os brancos acham que são melhores só por causa da cor da pele, quero ver se algum deles me ganha na capoeira. Eu quero respeito em todo lugar que eu vá.
4) Muito bem! Mas acredito que sou respeitada porque sou estudiosa e só tiro notas boas, não pela minha cor. Não me sinto ofendida se alguém me chama de negra, é a minha cor e tenho orgulho disso. Discriminação eu já senti quando eu era bem pequena e um coleguinha de aula me chamou de negra suja e fedorenta, isso era uma mentira e me magoou muito, até hoje não esqueci aquelas palavras. É muito duro ouvir coisas mentirosas a seu respeito e isso dói em pessoas negras, brancas ou índias. Qualquer pessoa que tenha sentimento devia pensar bem antes de julgar as outras só pela sua aparência.
Dar voz e vez aos alunos, prestar atenção quando colocam seus sentimentos de alegria, de mágoa e de superação foi um momento de exercitar a escuta para mim, de me dar conta da minha ignorância. Habituada a prestar atenção no aprendizado do aluno, se ele está aproveitando o que ensino, utilizando para seu crescimento pessoal e profissional; perdida na correria do dia a dia, às vezes não percebo as individualidades dos alunos, seus valores, sonhos e expectativas. E num movimento simples como este, concluo que preciso aprofundar meus conhecimentos sobre a história e a cultura dos africanos e afro-descendentes, só assim poderei combater a discriminação e o preconceito em sala de aula, buscando a conscientização de que as diferenças enriquecem a vida e qualificam nossas relações em sociedade.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Diversidade
Proporcionar momentos de reflexão em que os alunos possam expressar seus sentimentos, pensamentos e vivências sobre Diversidade é função do professor. Entretanto a
escola também precisa comprometer-se, repensando o seu projeto político pedagógico, transformando atividades padronizadas em atividades significativas, revendo a intencionalidade de práticas que acabam por homogeneizar os alunos. Respeitar o ritmo, o tempo de cada um, suas experiências anteriores a escola é fundamental quando se tem por princípio respeitar as diferenças entre as pessoas.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Questões Étnico-raciais na Escola
Buscar compreender a própria história, a cultura e quem são nossos ancestrais, são elementos fundamentais para entender a diversidade de etnias que existem em nosso país, estado e município. A escola deve ser o elo entre as diferenças existentes na comunidade e assim trabalhar no intuito de sensibilizar os grupos que convivem neste mesmo espaço social. Se a escola não fizer este movimento, as questões étnicos-raciais que pouco são divulgadas pela mídia ficarão cada vez mais longe do cotidiano de nosso aluno e de nós mesmos professores. Todas estas questões étnico-raciais perpassam os conteúdos escolares, e são mais urgentes do que eles na medida em que vemos notícias cada vez mais preocupantes sobre racismo, intolerância com o diferente seja ele índio, negro ou idoso. É papel do professor promover discussões com o objetivo de demonstrar que somos todos iguais, independente de nossa origem étnica. Este é o caminho para a construção de um novo modelo de convivência, livre de qualquer tipo de discriminação e preconceito.
quarta-feira, 18 de março de 2009
6º semestre - UFRGS
Estamos iniciando mais uma etapa, o 6º semestre do curso de Pedagogia promete grandes aprendizagens, cinco interdisciplinas nos esperam: Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, Filosofia da Educação, Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História e Seminário Integrador VI. Estou ansiosa por aprender mais sobre Inclusão, pois é uma realidade atualmente em nossas escolas e não tive nenhuma experiência em sala de aula até hoje com portadores de necessidades especiais. Acredito que esta será a interdisciplina que me provocará maiores questionamentos e aprendizagens. Mãos a obra!
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