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domingo, 25 de novembro de 2007

Être et Avoir


Ser e Ter, França, 2003. Documentário com direção de Nicolas Philibert. O filme se passa em uma escola primária multisseriada no interior da França, na região de Auvergne, onde o professor/ator Georges Lopez – que está se aposentando, já com 35 anos de magistério - leciona para uma turma de treze crianças, com idades entre 4 e 10 anos, acompanhando estes alunos do jardim de infância até o final do curso primário.
É um daqueles filmes que nos levam a refletir sobre cada cena. "Ser e ter" mostra a relação entre o professor, seus alunos e alunas no ato de alfabetização e de humanização. O filme é um verdadeiro poema à nossa profissão, as brincadeiras e traquinagens dos alunos, seus depoimentos, sucessos e fracassos me emocionaram, mas o que mais chama atenção são as intevenções extremamente acertadas do professor. Ele é firme nos momentos necessários sem nunca levantar a voz, aproveita todos os momentos e falas dos alunos para escutá-los, provocá-los e desafiá-los a construírem seu próprio conhecimento.
Construindo uma relação baseada no respeito, confiança e companheirismo, o professor, que tem um olhar atento para cada um de seus alunos, mostra que é possível perceber e conviver com as diferenças dentro da sala de aula.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Professores enquanto sujeitos do conhecimento"

Maurice Tardiff diz que: "para compreender a natureza do ensino, é necessário considerar a subjetividade dos próprios professores, que são sujeitos que assumem sua prática a partir dos significados que lhe dão, possuem conhecimentos e um saber-fazer proveniente de sua atividade e a partir dos quais a estruturam e a orientam". Estive refletindo bastante sobre minha prática pedagógica enquanto professora que está fora de sala de aula. Este semestre a maioria das interdisciplinas são práticas, minha dificuldade está em transpor todo este conhecimento novo que estou adquirindo, esta fundamentação teórica que nos é oferecida, para meu fazer diário. Procuro pesquisar em novas fontes o tempo todo, observo as colegas e suas dificuldades diárias em aula, como fazem para solucionar os problemas enfrentados, procuro partilhar com elas minhas descobertas na tentativa de construir saberes e competências em conjunto. Talvez até esteja sendo meio egoísta, pois vejo isso tudo como se eu estivesse fazendo um investimento a médio prazo, onde a minha meta é aprender e desenvolver novas práticas e estratégias de ação para quando eu retornar à sala de aula.

sábado, 29 de setembro de 2007

Alfabetização de Adultos & Informática

Quando atuava no LABIN com alunos de séries finais, foi implantada a modalidade EJA na escola. Iniciei os trabalhos reproduzindo os projetos que realizávamos com os adolescentes. Não obtive sucesso, os adultos não se interessavam e ficavam entediados em frente ao computador. Dei-me conta que era necessário refazer o caminho, que primeiro eu precisava conhecer aquele aluno e suas vivências, percebi que a tecnologia por si só não acrescentaria nada ao aprendizado dos alunos. Foi tentando conhecer aquele sujeito completamente novo pra mim, conhecendo suas experiências, sabendo de suas relações familiares, profissionais e sociais, que fui aos poucos encontrando um caminho para conquistá-los a desejarem aprender a usar o computador. Os alunos de mais idade não acreditavam que ainda pudessem aprender e que não estragariam a máquina. A maioria só conhecia ao computador “de costas” – no balcão das lojas, no supermercado, etc. – Havia um senhor bem idoso que se negava a trabalhar no micro, pois sua religião não permitia ver TV – este eu nunca consegui conquistar. Ali com aqueles alunos – com muito mais idade do que eu – pude refletir sobre a minha prática e perceber que precisava questionar mais e responder menos; era necessário conhecer o aluno, suas idéias, preocupações, sonhos e ansiedades e, a partir disso tudo buscar uma nova forma de ensinar, com base no diálogo, problematizando a realidade do aluno e a minha própria condição de professora; tudo isso com o objetivo de levar o aluno a conscientizar-se de que somente ele é o agente da transformação que tanto busca.