Quando atuava no LABIN com alunos de séries finais, foi implantada a modalidade EJA na escola. Iniciei os trabalhos reproduzindo os projetos que realizávamos com os adolescentes. Não obtive sucesso, os adultos não se interessavam e ficavam entediados em frente ao computador. Dei-me conta que era necessário refazer o caminho, que primeiro eu precisava conhecer aquele aluno e suas vivências, percebi que a tecnologia por si só não acrescentaria nada ao aprendizado dos alunos. Foi tentando conhecer aquele sujeito completamente novo pra mim, conhecendo suas experiências, sabendo de suas relações familiares, profissionais e sociais, que fui aos poucos encontrando um caminho para conquistá-los a desejarem aprender a usar o computador. Os alunos de mais idade não acreditavam que ainda pudessem aprender e que não estragariam a máquina. A maioria só conhecia ao computador “de costas” – no balcão das lojas, no supermercado, etc. – Havia um senhor bem idoso que se negava a trabalhar no micro, pois sua religião não permitia ver TV – este eu nunca consegui conquistar. Ali com aqueles alunos – com muito mais idade do que eu – pude refletir sobre a minha prática e perceber que precisava questionar mais e responder menos; era necessário conhecer o aluno, suas idéias, preocupações, sonhos e ansiedades e, a partir disso tudo buscar uma nova forma de ensinar, com base no diálogo, problematizando a realidade do aluno e a minha própria condição de professora; tudo isso com o objetivo de levar o aluno a conscientizar-se de que somente ele é o agente da transformação que tanto busca.
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