quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Trabalho Docente

Em seu texto O Trabalho Docente, a Pedagogia e o Ensino, Maurice Tardiff afirma que a maior dificuldade no ofício do educador está no fato de que nosso objeto de trabalho são pessoas. Percebo no meu dia-a-dia que lidar com pessoas completamente diferentes umas das outras e ao mesmo tempo tentar ensiná-las a seguir certos padrões, é um paradoxo. Não temos e nem queremos ter controle total sobre os alunos, entretanto devemos ter domínio de classe suficiente para que todos possam ter oportunidade de aprender, vivemos toda essa contradição diariamente em sala de aula e isso nos coloca muitas vezes em situações de stress. Questiono-me constantemente se somos ou não os únicos culpados pelos péssimos índices dos alunos nas avaliações externas? Conduzir crianças ou adolescentes - todos tão diferentes desde sua educação na família até sua realidade social - na construção do próprio conhecimento em meio a tantos problemas e tensões que hoje estão dentro da escola, nos desafiando diariamente é uma tarefa muito complicada, dolorosa e por vezes até cruel. Pois assim como nossos alunos e qualquer outro profissional de áreas completamente diferentes somos seres humanos e passíveis de errar em nossas escolhas. O trabalho docente não é melhor do que qualquer outro, mas é diferente, é especial. Entretanto não é valorizado na mesma proporção a toda responsabilidade que vem recebendo da sociedade nos últimos tempos, e isso, em minha opinião, está diretamente ligado à importância que a sociedade confere à educação, ao conhecimento e ao desenvolvimento do ser humano e do nosso país.

2 comentários:

Suelen Assunção disse...

Marga querida!
Creio que não somos os únicos culpados.
Talvez, aqueles mais otimistas em relação ao ensino padronizado, sejam. Mas nós não.
Temos que ter uma certa flexibilidade, uma certa sensibilidade para manipular a situação.
O paradoxo, com certeza, é real. Como falar em identidades múltiplas, pessoas singulares, se temos um currículo ÚNICO e PADRÃO para todos estes "diferentes".
Como pensar em respeito neste contexto? Bela contradição.
Mas de que modo podemos inserir estes alunos numa sociedade capitalista, movimentada por um certo regime de saberes legitimados? Só mostrando o conhecimento legitimado!!!
Portanto, estamos fazendo o nosso papel.
Não é?
Beijão
Suelen - tutora da sede - Seminário Integrador V

Simone disse...

Olá Marga!
Que interessante ver mais uma postagem referente a interdisciplina de ECS aqui no teu portfólio! Trabalhar com pessoas é algo desafiador, pois cada uma é diferente da outra, cada uma tem uma história diferente, uma maneira de pensar... Tua reflexão está bastante coerente e relacionada com as idéias de Tardif que afirma que "O problema principal do trabalho docente consiste em interagir com alunos que são todos diferentes uns dos outros e, ao mesmo tempo, em atingir objetivos próprios a uma organização de massa baseada em padrões gerais". Um abraço, Simone - Tutora sede ECS