Mostrando postagens com marcador PLANO DE ESTUDOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PLANO DE ESTUDOS. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de julho de 2008

Repensando a aprendizagem sob a ótica Piagetiana [Position Paper]

"O essencial é que, para que uma criança entenda,
deve construir ela mesma, deve reinventar.
Cada vez que ensinamos algo a uma criança
estamos impedindo que ela descubra por si mesma.
Por outro lado, aquilo que permitimos que descubra
por si mesma, permanecerá com ela."
(Jean Piaget)
No Plano Individual de Estudos, atividade da interdisciplina Seminário Integrador IV, me propus a pesquisar e aprofundar os conhecimentos sobre Epistemologia Genética. Durante os cinco anos em que trabalhei com alfabetização, sempre estiveram ao meu lado os questionamentos bem como as dúvidas de como os alunos aprendiam, se iriam ou não alfabetizar-se no período de um ano letivo; sinto que minhas intervenções não eram tão efetivas quanto deveriam, pois sem um referencial teórico minhas ações e decisões eram baseadas em suposições, tentativas, erros e acertos.
Todos nós professores, principalmente das séries iniciais, deveríamos compreender como a aprendizagem acontece, para melhor nos instrumentalizarmos, e dessa forma guiar aos alunos na direção da construção verdadeira do conhecimento. A partir das leituras realizadas sobre o tema pude perceber que Jean Piaget, importante estudioso da Educação, deixou significativas descobertas no que se refere à construção do conhecimento pela criança. Afirmando a tese de que o ser humano reconstrói na sua aprendizagem individual, o conhecimento produzido pela humanidade.
Partindo de suas pesquisas sobre a inteligência infantil e a evolução do pensamento, Piaget formulou a teoria de que na construção do conhecimento nossas estruturas mentais vão se formando num processo de adaptação, onde é necessário que haja um desequilíbrio, ou seja, quando o indivíduo necessita de algo ou tem um problema que está lhe perturbando, ele entra em desequilíbrio e, ao alcançar seu objetivo satisfazendo sua necessidade uma adaptação acontece. Neste processo existem dois momentos distintos: a assimilação, onde o indivíduo utiliza o que já sabe para perceber, organizar e incorporar novos objetos e acontecimentos do meio externo, ampliando assim seus esquemas mentais; e a acomodação, onde as estruturas mentais são modificadas a partir da sua ação sobre o objeto ou fato a ser assimilado. Em seu trabalho, Piaget demonstra que o desenvolvimento da aprendizagem se dá através de quatro estágios sucessivos desde o nascimento até a adolescência:
- Sensório-motor
Do nascimento até por volta dos 2 anos a inteligência é empírica, manifestando-se na forma de ações motoras, aprende-se pela experiência;
- Pré-operatório (Inteligência Simbólica)
No período de 3 a 7 anos, o pensamento é de natureza intuitiva, acontece a interiorização dos esquemas construídos no estágio sensório-motor;
- Operatório Concreto
Entre 8 e 11 anos, já é possível a abstração dos dados da realidade, mas o raciocínio lógico ainda depende de referências concretas, neste estágio se desenvolvem as noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade,...
- Operatório Formal
A partir dos 12 anos, o raciocínio envolve abstrações, não é mais necessário apoiar-se em objetos concretos, o pensamento acontece a partir de hipóteses.
Em cada um destes estágios o indivíduo integra os novos esquemas mentais construídos aos que possuía anteriormente, atingindo assim um equilíbrio mais elevado e passando para o estágio seguinte. Nesta perspectiva a escola deve desafiar e estimular o raciocínio, abandonando exercícios repetitivos e sem sentido, pois a aquisição do conhecimento não é uma simples internalização das informações recebidas em aula, mas um processo de reconstrução autônoma resultante da ação do sujeito na interação com o meio.
A escola, hoje, atropela os estágios de desenvolvimento das crianças, pois os ignora, e continua oferecendo conteúdos descontextualizados, questões e respostas prontas para o aluno, não permitindo que ele faça construções por si só, não disponibiliza o tempo necessário para que ele construa suas hipóteses, acerte, erre e descubra o seu erro, para chegar assim as suas próprias conclusões e consolidar sua aprendizagem. Desta maneira não existe vontade, nem prazer em aprender, pois na maioria das vezes, o conteúdo não interessa, não mobiliza os alunos na busca do conhecimento, fazendo com que estes aceitem a situação de meros receptores de conteúdos impostos. Nesta posição de “tanto faz” o aluno não entra em conflito, em desequilíbrio, não constrói novos esquemas mentais de raciocínio e não tem condições de assimilar e acomodar novos conhecimentos. O sucesso da aprendizagem da criança está diretamente ligado às atividades que esta realizou concretamente e aos esquemas que construiu, desde o nascimento com as ações instintivas até o desenvolvimento do raciocínio abstrato, na adolescência.
Os professores que realmente desejam possibilitar a seus alunos um avanço efetivo na aprendizagem precisam, urgentemente, mudar de atitude frente ao entendimento da construção do conhecimento e ao modo de ver este aluno. Devem assumir uma postura de aprendizes, pois é necessário aprender como se aprende para fazer as intervenções corretas no momento adequado.
É fundamental que ofereçam situações de aprendizagem onde o conhecimento possa ser reinventado e não simplesmente reproduzido mecanicamente após explicações teóricas. Torna-se imprescindível valorizar as descobertas que este aluno faz sozinho, pois mesmo quando chega a uma conclusão errônea significa que ele está elaborando a aprendizagem e logo adiante terá consciência de suas contradições chegando à resposta correta. Além disso, se faz necessário criar espaços de interação e trocas entre os alunos na sala de aula, proporcionando atividades que desenvolvam o pensamento crítico e o espírito de investigação. Promovendo momentos de escuta das perguntas que os alunos trazem, dos seus interesses e anseios, pois o fato de ter dúvidas, questionar-se, pesquisar, perguntar, encontrar respostas, não satisfazer-se com elas e buscar novas respostas é muito produtivo, é neste contexto que as descobertas acontecem e as aprendizagens são construídas efetivamente. Só desta forma, eles poderão entender o meio em que vivem e tomarão as rédeas da construção da sua aprendizagem.

Referências:
BECKER, Fernando. Ensino e construção de conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2001.
CHALON-BLANC, Annie. Introdução a Jean Piaget. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.
GOULART, Iris Barbosa. Piaget: Experiências básicas para utilização pelo professor. RJ: Vozes, 2001
.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

"Position Paper" uma excentricidade!

Acredito que terminei meu Plano Individual de Estudos, digo que acredito, pois ele ainda precisa passar pelo crivo da profª. Cíntia e do prof. Leonardo. Argh... isto me deixa bastante apreensiva!
Estudar a teoria Piagetiana é realmente um grande desafio, como já haviam me alertado, o assunto é bastante amplo e complexo, penso que fui otimista demais em afirmar que no espaço de um semestre estaria pronta para me posicionar sobre este tema e escrever um "paper", eu deveria ter sido mais modesta e propor a produção de uma apresentação de slides sobre os pressupostos da Epistemologia Genética, seria menos trabalhoso e menos presunçoso. Neste momento eu não estaria tão ansiosa a respeito da avaliação deste trabalho!
Fiz diversas leituras, partindo de Annie Chalon-Blanc, passando por Constance Kamii e Iris Barbosa Goulart, chegando até Fernando Becker. Jean Piaget deixou importantes descobertas sobre a forma como a criança reconstrói o conhecimento acumulado pela humanidade através dos tempos, evoluindo assim na sua aprendizagem individual.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Plano Individual de Estudos

Provocada ainda pela interdisciplina Fundamentos da Alfabetização do Eixo II, desejo aprofundar meus estudos sobre a Epistemologia Genética, teoria de Jean Piaget. Pois, como relatei na postagem do dia 08/01/08, é fundamental para mim, entender como os alunos aprendem e como fazer as intervenções corretas para que eles avancem em sua aprendizagem, neste caso, rumo à alfabetização.
Penso que compreendendo as estruturas do pensamento e os estágios de desenvolvimento humano, ou seja, como o conhecimento é construído segundo a Teoria de Piaget, poderei auxiliar na construção de novas estruturas cognitivas, oferecendo um meio mais propício para que o aluno possa agir sobre o objeto (código escrito) de maneira mais satisfatória.
Para atingir tal objetivo me proponho a fazer pesquisas e leituras referentes ao assunto, iniciando pelos seguintes textos:
- O desenvolvimento humano na teoria de Piaget
http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/per09.htm
- Wiki do LEC (Laboratório de Estudos Cognitivos)do Instituto de Psicologia da UFRGS
http://www.lec.ufrgs.br/index.php/P%C3%A1gina_principal
- MONTANGERO, Jacques; MAURICE-NAVILLE, Danielle. Piaget ou a Inteligência em Evolução. Porto Alegre: Artmed, 1998.
- BECKER, Fernando. Ensino e construção de conhecimento. Porto Alegre, Artmed, 2001.
- CHALON-BLANC, Annie. Introdução a Jean Piaget. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.
O resultado dessas pesquisas e estudos, ou seja, das minhas aprendizagens serão descritos e refletidos em forma de “position paper”, onde desenvolverei minha reflexão diante do que é apresentado na teoria e também diante do que pode ser observado numa realidade.

terça-feira, 25 de março de 2008

Proposta de Estudos


Estou a matutar sobre este assunto!
Logo, logo... volto para divulgar minhas idéias a respeito deste novo desafio...